Menu
Home
Afirmativa
Artigos
Busca
Chat
Contato
Dados de Pesquisas
Deu na Mídia
Divirta-se
Entrevistas
Eventos
Fórum
Galeria
Histórico
Imprensa
Links
Medalha Afrobras
Negros em Foco
Notícias
Parceiros
Troféu Raça Negra
Unipalmares
Nós temos 10 visitantes online
Administrator
Apoio
Advertisement
Área Restrita





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma


Statistics
OS: Linux n
PHP: 5.2.13
MySQL: 5.0.91-community
Hora: 22:29
Caching: Disabled
GZIP: Disabled
Membros: 796
Notícias: 3626
Weblinks: 18
Só cínico fala em educação? PDF Imprimir E-mail
Por Editor   

Só cínico fala em educação?

O economista Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi claro: "A população está se qualificando mais, o problema é que não acompanha o ritmo de demanda das empresas". Ele está certo: no País em que 10,4% da população economicamente ativa está desempregada, sobram vagas por falta de qualificação.

A Vale do Rio Doce, como publicou o Estado em 20/8, abriu vagas para 3,8 mil funcionários e não encontra profissional com formação suficiente para funções básicas como soldador, mecânico ou técnico de mineração. O problema é generalizado. A gerente de RH da IBM, Luciana Farisco, foi bem objetiva: "Tenho a impressão de que já entrevistei todos os programadores que falam inglês".
O que está acontecendo: milhões querem trabalhar e milhares de vagas permanecem abertas. Parece óbvio, o despreparo os afasta dos postos de trabalho ou melhor, a escola que cursaram não funcionou. O problema atinge todos os graus de ensino. O fato virou duelo eleitoral, mas dois terços das crianças que estão na 4 série do ensino oficial não sabem ler nem escrever. Menos da metade dos alunos da 3 série do ensino médio dominam a matemática ensinada na 8 série do fundamental.
No ensino superior o quadro é o mesmo. O Enade, que substituiu o Provão, incluiu o Indicador de Diferença entre o Desempenho Observado e o Esperado (IDD), medindo quanto o curso contribuiu para a melhoria do aluno. Este IDD foi chamado de "valor agregado" na formação do universitário. O Enade mostrou que 41,8% das universidades federais apresentaram IDD "negativo", isto é, não agregaram valor ao que os alunos já sabiam quando entraram na faculdade. Entre as particulares o número piora, mas não muito: 46,5% com IDD "negativo".
Aliás, o IBGE também percebeu que a escola ajuda pouco para conter desemprego. Só que disse isto de outro jeito. A Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada em 6/8, mostrou o perfil dos inativos: os que gostariam e estão disponíveis para trabalhar mas desistiram de procurar emprego. Nas seis maiores regiões metropolitanas do País somam 2,8 milhões. O que espanta é o perfil educacional destes inativos: 33,5% têm 11 anos ou mais de escolaridade e outros 27% têm de oito a dez anos.
Um cínico, observando estes dados, diria que educação por aqui apenas transfere renda dos cofres públicos para quem vende equipamento escolar ou livro didático. Sem esquecer dos profissionais que não "entregam" o serviço pelo qual recebem e não são avaliados. Na escola privada, esta transferência também pode acontecer, mas é por livre escolha, o que é diferente.
É sempre possível dizer que a solução para tudo isto é rever o que a escola ensina. Quem tentar terá uma surpresa: ninguém está obrigado a nada na escola, quanto ao quê ensinar. Existem os Parâmetros Curriculares Nacionais, que são isto mesmo, parâmetros, nada mais. Na verdade, quem pauta o ensino das escolas ricas são as exigências dos vestibulares e, das pobres, o livro didático. Já no horário eleitoral, não aparece nem este tema, nem as vagas abertas por falta de qualificação, apesar da conversa mole sobre educação. Portanto, o melhor é não convidar o cínico para assistir ao programa político.

Leonardo Trevisan - Editorialista da Gazeta Mercantil
Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo

Fonte: Gazeta Mercantil

 
< Anterior   Próximo >