Pesquisa aponta que desigualdade de renda entre negros e brancos ainda é enorme

Relatório da OIT – Organização Internacional do Trabalho divulgado nesta quinta-feira, 10/5, mostra que o homem negro com a mesma qualificação e nível educacional recebe um terço menos do que o homem branco. A renda mediana para as negras foi de R$ 316 por mês em 2005, contra R$ 632 para homens brancos. Homens e mulheres negros ganham menos do que os brancos, sem importar o nível educacional. Mesmo com estes números, a pesquisa aponta que a desigualdade de renda entre brancos e negros no Brasil caiu.

A desigualdade caiu devido a sucessivos aumentos do salário mínimo, redução da inflação e declínio nos ganhos reais dos homens brancos, segundo o estudo. O Brasil também obteve progressos em políticas destinadas a reduzir a desigualdade racial, segundo afirma Laís Abramo, diretora da OIT no Brasil. "Há muitos países que nem querem reconhecer a discriminação racial", disse ela.

A diferença entre as rendas de negros e brancos no Brasil caiu 31%, no período entre 1995 e 2005, de acordo com o estudo. “O gênero e a raça não são questões de minorias no Brasil, estamos falando de uma ampla maioria da sociedade”, completa a diretora. O relatório anda aponta que a luta contra a discriminação no mundo do trabalho registra importantes progressos, mas existe preocupação porque continua sendo significativa e persistente com crescente desigualdade de rendimentos e oportunidades.

Trabalho e discriminação - A diferença de rendimentos médios entre homens brancos e negros no Brasil caiu 32,6% entre 1995 e 2005. A redução, no entanto, não ocorreu apenas pela evolução da renda dos negros, mas, principalmente, pela queda do salário dos brancos.

No período analisado, o salário dos homens negros subiu 4,7%, passando de R$ 402 para R$ 421, em números corrigidos pela inflação. Já o dos homens brancos foi o único que caiu: 11,6%, passando de R$ 715 para R$ 632. O de mulheres brancas subiu 6% (de R$ 447 para R$ 474).

O salário de mulheres negras aumentou 41% nos dez anos analisados, a maior alta registrada pela pesquisa. Mas continua sendo o segmento com menor rendimento: R$ 316 em 2005, e R$ 223 dez anos antes. A diferença de salário entre homens brancos e negros era de R$ 313 em 1995 e caiu para R$ 211 em 2005. Entre mulheres brancas e negras, passou de R$ 224 para R$ 158, uma queda de 29,5%. O aumento do salário de homens negros e mulheres brancas e negras é explicado por sucessivos aumentos do salário mínimo e redução da inflação. Confira a pesquisa na íntegra.

 



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